quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Somos assim
Já vistes duas moças
Andando no mesmo caminho,
Sorrindo o mesmo sorriso,
Vivendo a mesma aventura?
Essas moças são amigas,
O caminho é de suas casas,
O sorriso por teu encontro,
A aventura da amizade;
Essas amigas somos nós:
Eu e você,
Seguimos o mesmo caminho
Para que possamos dialogar,
Sorrimos pelo motivo de nos entendermos,
Aventuramos por que simplesmente
Somos assim:
“Amigas”
Taíse Gonçalves de Lima
De manhã apareço
De dia permaneço
De tarde desapareço
E do dia me esqueço.
Sou tão brilhante, tão envolvente:
Sou sol que nasce de manhã
E sou no dia permanente.
À tarde me ponho no horizonte-
Sou estrela sozinha,
Sou vida, sou fonte:
Fonte de vida, fonte de dor:
Vida por vir e brilhar
E dor por me pôr.
Brenda Pessôa
Quando você foi embora,
Nem se despediu de mim,
Em meu peito arrebentou-se a dor;
Deitado naquele caixão,
Veio a me atormentar o desespero,
Pedi-lhe para que levantasse,
Pois não agüentava ver-te
Daquele modo;
Não conseguia imaginar,
Minha vida, meu sossego,
Sem tua presença.
Hoje alguns anos sem você,
Procuro amenizar minha dor,
Lembrando somente os momentos
Que juntos passamos. . .
Amo-te, não te esqueço,
Penso em ti, quando?
Todos os momentos de minha vida.
Como não posso vê-lo,
Em meus sonhos posso ouvi-lo,
Senti-lo;
Eternamente mil vezes,
Eu te amo.

José Fernandes Neto
As rosas ali estavam,
Acompanhadas dos lírios e jasmins
Sempre muito coloridas
Mas imóveis no jardim
Sempre preocupadas com a beleza
Cada vez mais ansiosas
Com a chegada da primavera
Pra mostrar o que já podem fazer
Aos poucos vão se abrindo
E soltando seus perfumes
Umas com cheiros suaves
Outras de cheiros mais brutos
Cada uma com seu estilo
Porém sempre com uma chamativa cor
Há as cores,
Sempre tão importantes para elas
Para que uma possa se diferenciar das outras
E assim viver em harmonia.
Como as rosas vermelhas viveriam se fossem brancas
Jamais trariam a paixão que há dentro de ti
Mas também muito importantes são suas formas
Tornando-as assim de uma beleza incomparável
Como seria um copo-de-leite com pétalas de jasmim
Há o jardim...
Com rosas, tulipas, lírios e jasmins.
Sempre com suas formas, cheiros e cores.
Mas todas imóveis, quietas no jardim.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Gonçalves Dias
Já vistes sobre a flor de manso lago
Duas aves brincando solitárias,
Já pousadas na lisa superfície,
Já levantando vôo?
Já vistes duas nuvens no horizonte,
Brancas, orladas com listões de fogo,
A deslumbrante alvura cambiando
Ao pôr de sol estivo?
Já vistes duas lindas mariposas,
Abrindo ao romper d’alva as longas asas,
Onde reflete o sol, como em um prisma,
Belas, garridas cores?
Nem as pombas que vagam solitárias,
Nem as nuvens do ocaso, nem as vagas
Borboletas gentis que adejam livres
Em vale ajardinado:
Tanto não prazem, como doces virgens,
Airosas, belas, com sorrir singelo,
Da vida negra e má duros abrolhos
Impróvidas calcando.
Quanto há no mundo d’ilusões fagueiras,
De perfume e de amor, guardam no peito,
Quanto há de luz no céu mostram nos olhos,
Quanto há de belo – n’alma.
Como um jardim seu coração se mostra,
Seus olhos como um lago transparente,
Sua alma como uma harpa harmoniosa,
Seu peito como um templo!
Mas um fraco arruído espanta as aves,
Uma brisa ligeira as nuvens rasga,
E uma gota de orvalho ensopa as asas
Das leves mariposas.
Desgarrdas voando as aves fogem,
Dos castelos dos céus perdem-se as nuvens,
Nem mais adejam borboletas vagas
Sobre o esmalte das flores.
Pois quem resiste ao perpassar do tempo?
Depois que derramou grato perfume
Sobre as asas dos ventos que a bafejam,
A flor também definha.
Mas um nobre sentir que se enraíza
No peito da mulher, que menos ame,
É como essência preciosa e grata,
Que se lacrou num vaso.
Repassa-o: depois embora o esgotem,
Leves emanações, gratos eflúvios
Há de eterno verter da mesma essência,
Talvez porém mais doces.
Castro Alves
Qual o veado, que buscou o aprisco,
Balindo arisco, para a cerva corre...ou como o pombo, que os arrulos solta,
Se ao ninho volta, quando a tarde morre...,
Assim, cantando a pastoril balada,
Já na esplanada o lenhador chegou.
Para a cabana da gentil Maria
Com que alegria a suspirar marchou!
Ei-la a casinha... tão pequena e bela!
Como é singela com seus brancos muros!
Que liso teto de sapé doirado!
Que ar engraçado! que perfumes puros!
Abre a janela para o campo verde,
Que além se perde pelos cerros nus...
A testa enfeita da infantil choupana
Verde liana de festões azuis.
É este o galho da rolinha brava,
Aonde a escrava seu viver abriga...
Canta a jandaia sobre a curva rama
E alegre chama sua dona amiga.
Aqui n'aurora, abandonando os ninhos,
Os passarinhos vêm pedir-lhe pão;
Pousam-lhe alegres nos cabelos bastos,
Nos seios castos, na pequena mão.
Eis o painel encantado,
Que eu quis pintar, mas não pude...
Lucas melhor o traçara
Na canção suave e rude...
Vede que olhar, que sorriso
S'expande no brônzeo rosto,
Vendo o lar do seu amor...Ai!
Da luz do Paraíso
Bate-lhe em cheio o fulgor.
Casimiro de Abreu
O cedro foi planta um dia,
Viço e força o arbusto cria,
Da vergôntea nasce o galho;
E a flor pra ter mais vida,
Para ser - rosa querida -
Carece as gotas de orvalho.
Com o talento é o mesmo
Quando tímido ele adeja
_Qual ave que se espaneja -
Como a flor, também precisa
Em vez do sopro da brisa
O sopro da simpatia
Que lhe adoce os amargores,
Para em horas de cansaço
Na estrada que vai trilhando
Encontrar de quando em quando
Por entre os espinhos - flores.
E vós que acabais de ouvi-lo
A suspirar nesse trilo
No seu gorjeio primeiro;
Vós, que viste o seu começo.
Dai-lhe essas palmas de apreço
Que é artista e... brasileiro!

Álvares de Azevedo
Meu pobre coração que estremecias,
Suspira a desmaiar no peito meu:
Para enchê-lo de amor, tu bem sabias
Bastava um beijo teu!
Como o vale nas brisas se acalenta,
O triste coração no amor dormia;
Na saudade, na lua macilenta
Sequioso ar bebia!
Se nos sonhos da noite se embalava
Sem um gemido, sem um ai sequer,
E que o leite da vida ele sonhava
Num seio de mulher!
Se abriu tremendo os íntimos refolhos,
Se junto de teu seio ele tremia,
E que lia a ventura nos teus olhos,
É que deles vivia!
Via o futuro em mágicos espelhos,
Tua bela visão o enfeitiçava,
Sonhava adormecer nos teus joelhos...
Tanto enlevo sonhava!
Via nos sonhos dele a tua imagem
Que de beijos de amor o recendia...
E, de noite, nos hálitos da aragem
Teu alento sentia!
Ó pálida mulher! se negra sina
Meu berço abandonado me embalou,
Não te rias da sede peregrina
Dest’alma que te amou...
Que sonhava em teus lábios de ternura
Das noites do passado se esquecer...
Ter um leito suave de ventura...
E amor onde morrer!

